Servidores relatam ambiente de tensão, conflitos internos e cobram apuração rigorosa de denúncias que se acumulam desde 2025
Um cenário de tensão, insegurança e denúncias recorrentes de suposto assédio moral tem marcado o cotidiano de servidores da Superintendência Regional de Educação de Araguaína, com relatos de funcionários apontam para práticas consideradas abusivas atribuídas a uma assessora pedagógica, cuja atuação é descrita, por parte da equipe, como desestabilizadora e incompatível com princípios da administração pública.
Segundo os depoimentos, o ambiente institucional encontra-se deteriorado, com registros frequentes de supostos constrangimentos e conflitos internos. Servidores afirmam que há estímulo à desunião entre equipes, com episódios em que profissionais são colocados em posições de rivalidade, o que teria contribuído para um clima de desconfiança generalizada.
Entre as práticas relatadas estão transferências repentinas de servidores entre setores, justificadas sob alegações de desempenho insatisfatório. De acordo com os denunciantes, essas mudanças seriam utilizadas como instrumento de pressão e intimidação, impactando diretamente a estabilidade funcional e emocional dos trabalhadores.
Os relatos também mencionam episódios de ameaças veladas, exposição indevida e constrangimentos reiterados, o que, em tese, pode caracterizar assédio moral continuado. Profissionais ouvidos apontam que os efeitos dessas situações já são percebidos na saúde emocional das equipes e no desempenho das atividades pedagógicas, afetando um setor considerado essencial para a qualidade da educação pública.
As denúncias, conforme informado, não são recentes. Desde 2025, registros vêm sendo encaminhados à Ouvidoria do Estado do Tocantins e ao Ministério Público do Estado do Tocantins. Até o momento, segundo os servidores, não houve divulgação de medidas concretas relacionadas à apuração ou resolução dos fatos.
Outro ponto levantado diz respeito à suposta indução de professores a formalizarem denúncias contra gestores escolares. Segundo relatos, essa prática teria intensificado conflitos internos e contribuído para a desorganização da rede de ensino, comprometendo o funcionamento das unidades escolares.
Apesar da gravidade das acusações, servidores afirmam que a Superintendência Regional e a Ouvidoria seguem sem manifestações públicas ou providências visíveis. A percepção entre os profissionais é de que a ausência de respostas tem ampliado a sensação de impunidade e agravado o desgaste institucional.
Informações extraoficiais também indicam que a assessora citada teria sido indicada pelo deputado Marcos Marcelo, o que levanta questionamentos, entre os servidores, sobre possíveis interferências políticas na condução e permanência da gestão denunciada.
Com relatos da mesma prática em escolas de Muricilândia, Santa Fé do Araguaia, Aragominas, Babaçulândia e Piraquê, servidores cobram apuração rigorosa e medidas urgentes. Para eles, a manutenção de um ambiente marcado por medo, instabilidade e conflitos compromete não apenas as condições de trabalho, mas também a qualidade do serviço educacional prestado à população.
O caso segue sem desfecho, enquanto cresce a expectativa por respostas institucionais e eventuais providências das autoridades competentes.
Outra parte
A Assessoria do Deputado Marcus Marcelo afirmou que teve conhecimento das práticas, mas a referida servidora faz parte do Quadro Efetivo do Estado e que não há ligação do parlamentar com a profissional.
NOTA DA SECRETARIA DE EDUCAÇÃO
A Secretaria de Estado da Educação (Seduc) informa que acompanha as manifestações registradas junto à Ouvidoria da Pasta, relacionadas à Superintendência Regional de Educação (SRE) de Araguaína, e esclarece que foi instaurado Procedimento Investigativo Preliminar, conforme prevê a legislação vigente. O processo encontra-se em fase final de relatoria, após a realização de diligências e investigações in loco, e deverá ser concluído nos próximos dias.
A Seduc ressalta que a apuração de eventuais irregularidades segue critérios técnicos, com observância ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa.
No que se refere às medidas de prevenção e promoção de um ambiente de trabalho saudável, a Secretaria orienta continuamente suas unidades administrativas quanto à observância dos princípios da legalidade, moralidade e respeito nas relações institucionais. A SREs contam ainda com equipe multiprofissional, composta por psicólogo e assistente social, que atua no acolhimento aos servidores e na promoção de ações voltadas ao bem-estar e à melhoria do clima organizacional.
Em relação a possíveis interferências externas na gestão, a Secretaria esclarece que não há, até o momento, registro formal que tenha ensejado a instauração de apuração específica sobre o tema.
A Secretaria reitera ainda que repudia qualquer prática de assédio moral no ambiente de trabalho e reforça que condutas dessa natureza são incompatíveis com os princípios da Administração Pública e reafirma seu compromisso com a legalidade, a ética administrativa, a transparência e a promoção de um ambiente institucional saudável em todas as suas unidades.



