Ex-vereador é condenado a 41 anos de prisão por encomendar morte de técnica de enfermagem

Justiça condenou Genivaldo Mendes da Silva como mandante do feminicídio de Daiany Batista de Carvalho, em Figueirópolis (TO); executor dos disparos recebeu pena de 34 anos e quatro meses

O ex-vereador de Sandolândia, Genivaldo Mendes da Silva, foi condenado a 41 anos e três meses de prisão, em regime fechado, pelo feminicídio da técnica de enfermagem Daiany Batista de Carvalho, de 31 anos. Segundo a sentença, Genivaldo foi apontado como mandante do crime e teria contratado Faustino Ferreira Madeira para executar a vítima.

Faustino, identificado pela Justiça como autor dos disparos, também foi condenado por feminicídio. A pena estabelecida para ele é de 34 anos, quatro meses e 15 dias de prisão, igualmente em regime fechado.

O crime aconteceu em 4 de novembro de 2025, em Figueirópolis, no sul do Tocantins. Segundo a investigação e os fundamentos considerados no julgamento, Daiany foi surpreendida quando saía do trabalho e caminhava em direção a um veículo.

Crime foi cometido por discriminação, segundo a Justiça

De acordo com a sentença, a motivação do crime esteve relacionada ao relacionamento homoafetivo que Daiany mantinha com a ex-companheira de Genivaldo. A Justiça entendeu que o assassinato ocorreu por razões de menosprezo e discriminação à condição de mulher, circunstâncias que levaram à classificação do caso como feminicídio.

A decisão também considerou que a vítima foi atacada de forma inesperada, sem possibilidade de uma reação efetiva. O caráter surpreendente da ação foi considerado uma circunstância que dificultou a defesa de Daiany.

Segundo informações do processo, Genivaldo confessou à polícia, após sua prisão em novembro de 2025, que havia encomendado a morte da técnica de enfermagem por R$ 5 mil. A sentença apontou ainda que ele teria levado Faustino até o local onde o crime foi cometido.

Ataque foi registrado por câmera de segurança

Uma câmera de segurança registrou parte da ação. Nas imagens, Daiany aparece se aproximando de um veículo quando é surpreendida por Faustino.

A vítima tentou fugir, mas caiu no chão. Conforme os elementos apresentados no processo, o atirador efetuou disparos contra Daiany enquanto ela estava caída e, em seguida, fugiu do local.

A técnica de enfermagem foi atingida por três tiros. Pelo menos um dos disparos atingiu o coração.

Após o assassinato, testemunhas relataram que o autor dos disparos fugiu a pé, atravessou a BR-153 e entrou em um carro de cor cinza. O veículo usado na fuga foi posteriormente encontrado abandonado em uma rua de Sandolândia, segundo a Polícia Militar.

Prisões ocorreram dias após o assassinato

Faustino Ferreira Madeira foi preso em 6 de novembro de 2025, na zona rural de Sandolândia.

Genivaldo foi localizado três dias depois, em 9 de novembro, em uma fazenda situada entre a zona rural de Araguaçu, no Tocantins, e São Miguel do Araguaia, em Goiás.

Segundo a Polícia Militar, ao perceber a aproximação dos agentes, o ex-vereador fugiu em direção a uma área de mata e chegou a atravessar um rio. Ele acabou capturado pouco depois.

Os dois homens estavam presos preventivamente e, conforme a decisão judicial, o cumprimento das penas impostas deverá ocorrer inicialmente em regime fechado.

Indenização à família da vítima

Além das penas de prisão, a Justiça determinou o pagamento de indenizações à família de Daiany.

Genivaldo foi condenado a pagar R$ 100 mil, enquanto Faustino deverá pagar R$ 50 mil.

Durante a investigação, a ex-companheira de Genivaldo informou que os filhos ainda recebem acompanhamento psicológico e psiquiátrico em razão do que foi descrito como um “severo trauma emocional” provocado pelo assassinato de Daiany.

Defesa de Genivaldo contesta condenação

A defesa do ex-vereador afirmou considerar a decisão injusta e anunciou que pretende recorrer.

Segundo os advogados, o crime não poderia ser classificado como feminicídio porque Genivaldo não mantinha vínculo afetivo ou familiar com Daiany. A defesa sustenta ainda que a motivação estaria relacionada ao relacionamento entre a vítima e a ex-companheira do acusado.

Os advogados também contestam a conclusão de que Genivaldo teria determinado a morte da técnica de enfermagem. De acordo com a versão apresentada pela defesa, ele teria levado Faustino ao local com a intenção de ameaçar e intimidar Daiany, e não de matá-la.

A defesa afirma que a decisão de assassinar a vítima teria sido tomada isoladamente por Faustino e que, por isso, Genivaldo não deveria responder pelo crime mais grave.

Defesa de Faustino pede novo julgamento

A defesa de Faustino Ferreira Madeira também informou que recorreu da condenação.

Os advogados protocolaram recurso de apelação no qual pedem a anulação do julgamento e a realização de um novo júri. A alegação é de que a decisão dos jurados teria sido manifestamente contrária às provas apresentadas no processo.

A defesa afirmou respeitar a decisão do Conselho de Sentença, mas sustenta que existem fundamentos jurídicos e elementos probatórios que justificam a revisão do julgamento pelo Tribunal de Justiça.

Caso segue para análise dos recursos

Com as condenações, os dois réus permanecem sujeitos às penas estabelecidas pelo Tribunal do Júri. Entretanto, as defesas informaram que recorrerão das decisões, o que poderá levar o caso a novas análises pelo Tribunal de Justiça.

A condenação de Genivaldo como mandante e de Faustino como executor encerra, em primeira instância, a etapa do julgamento pelo Tribunal do Júri, mas os recursos apresentados pelas defesas ainda serão apreciados pela Justiça.

O caso ganhou repercussão no Tocantins pela violência do ataque, pela acusação de contratação do executor e pela motivação reconhecida judicialmente, relacionada à discriminação contra a vítima em razão de seu relacionamento homoafetivo.

(Com informações do G1 Tocantins.)

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