Douglas Oliveira afirma que foi impedido de viajar após companhia exigir atestado médico de última hora, Polícia Federal tem versão distinta da apresentada pelo Prefeito
Uma ocorrência envolvendo o prefeito de Carmolândia, Douglas Oliveira (União Brasil), gerou transtornos e atrasou em quase cinco horas um voo da Latam que fazia a rota entre Guarulhos (SP) e Palmas (TO). O episódio aconteceu na noite de domingo (31) e terminou com a intervenção da Polícia Federal, versões divergentes entre as partes e repercussão no meio político tocantinense.
O voo LA3394 tinha partida programada para as 23h35, mas somente decolou por volta das 4h30 da madrugada desta segunda-feira (1º), após a necessidade de substituição da tripulação em razão do atraso operacional provocado pela ocorrência.
Segundo a Latam, o desembarque do passageiro foi realizado após a identificação de um comportamento considerado indisciplinado, o que motivou o acionamento da Polícia Federal antes da decolagem. A companhia informou que a medida seguiu protocolos de segurança adotados para garantir a integridade da operação e dos demais passageiros.
Já o prefeito Douglas Oliveira apresenta uma versão diferente dos fatos. Ele afirma que não foi retirado da aeronave à força e que decidiu deixar o avião após orientação de um agente da Polícia Federal, diante da negativa da empresa em permitir sua permanência a bordo.
De acordo com o prefeito, o impasse começou quando informou à companhia aérea que havia passado recentemente por um procedimento cirúrgico. Segundo ele, naquele momento a empresa passou a exigir um atestado médico específico autorizando a viagem aérea.
Douglas afirma que possuía autorização verbal de seu médico para viajar e que imediatamente entrou em contato com o profissional para solicitar o documento exigido pela companhia.
“Eu informei que tinha feito cirurgia recente. Em nenhum momento foi exigido documento antes. Quando pediram, liguei para o médico para resolver”, declarou o prefeito.
Segundo seu relato, enquanto aguardava o envio digital do atestado, tentou embarcar normalmente e buscar uma solução para evitar perder o voo.
“Adentrei sem nenhuma intervenção de ninguém. Quando me sentei, meu médico enviou o documento, mostrei e disseram que não servia mais e que eu teria que sair”, afirmou.
Contudo, informações registradas em termo da Polícia Federal apresentam uma versão distinta da narrada pelo prefeito.
Segundo o documento, Douglas Oliveira teria impedido o fechamento da porta da aeronave ao colocar o pé na entrada do avião enquanto aguardava o envio do atestado médico solicitado pela companhia aérea.
O relatório aponta que a atitude levou o comandante da aeronave a determinar seu desembarque, alegando descumprimento das normas operacionais e ausência da documentação exigida para a viagem.
O prefeito contesta integralmente essa versão. Segundo ele, o episódio mencionado pela Polícia Federal ocorreu ainda na área do finger — estrutura que conecta o terminal diretamente à aeronave — e não na porta do avião.
“Em nenhum momento coloquei o pé na porta da aeronave. A situação aconteceu no finger, enquanto eu aguardava a chegada do documento médico”, declarou.
O incidente provocou consequências operacionais significativas para o voo LA3394. Com a demora para solucionar a ocorrência e o cumprimento dos protocolos exigidos pela companhia aérea e pelas autoridades aeroportuárias, a decolagem sofreu um atraso superior a quatro horas.
Em razão do longo período de espera, foi necessária a substituição da tripulação originalmente escalada para a viagem, procedimento previsto pelas regras de jornada de trabalho da aviação civil.
A aeronave decolou apenas às 4h30 da madrugada e pousou em Palmas já na manhã desta segunda-feira.
Passageiros relataram desconforto e desgaste durante a longa espera no aeroporto, embora a viagem tenha sido concluída sem novos incidentes.
Em nota oficial, a Latam informou que solicitou apoio da Polícia Federal para realizar o desembarque do passageiro após identificar comportamento incompatível com as normas de segurança operacional.
A empresa ressaltou que a medida foi adotada antes da decolagem e que a segurança dos passageiros e da tripulação é prioridade em todas as operações.
“A LATAM Brasil informa que solicitou apoio da Polícia Federal antes da decolagem do voo LA3394 (Guarulhos/SP – Palmas/TO) do último domingo para realizar o desembarque de um passageiro após comportamento indisciplinado”, informou a companhia.
A empresa também lamentou os transtornos causados pelo atraso e reafirmou seu compromisso com os protocolos técnicos e operacionais da aviação civil.
O episódio rapidamente ganhou repercussão nas redes sociais e nos meios políticos do Tocantins. Douglas Oliveira está em seu mandato como prefeito de Carmolândia e é uma das lideranças políticas da região norte do estado.
Enquanto a Latam sustenta que o desembarque ocorreu em razão da conduta do passageiro e da necessidade de cumprimento dos protocolos de segurança, o prefeito afirma ter sido prejudicado por uma exigência feita no momento do embarque e garante que tentou resolver a situação de forma pacífica.
A divergência entre as versões apresentadas pela companhia aérea, pela Polícia Federal e pelo prefeito deverá continuar repercutindo nos próximos dias, podendo inclusive resultar em novos esclarecimentos sobre os fatos ocorridos no Aeroporto Internacional de Guarulhos.
Íntegra da nota da Latam
A LATAM Brasil informa que solicitou apoio da Polícia Federal antes da decolagem do voo LA3394 (Guarulhos/SP /Palmas/TO) do último domingo (31/06) para realizar o desembarque de um passageiro após comportamento indisciplinado.
Por conta do ocorrido, o voo inicialmente previsto para decolar às 23h35, partiu às 04h30. A viagem prosseguiu normalmente, e a aeronave pousou nesta segunda-feira (01/06) em segurança em seu destino final.
A LATAM lamenta os transtornos causados e reitera que adota todas as medidas de segurança técnicas e operacionais para garantir uma viagem segura para todos.



