Lenda do esporte nacional faleceu após ser hospitalizado em Santana de Parnaíba; causa da morte não foi divulgada
Oscar Schmidt, referência indiscutível na história do basquete brasileiro, faleceu hoje, aos 68 anos. O ícone do esporte foi hospitalizado na manhã da sexta-feira, 17, após se sentir mal e foi levado ao Hospital e Maternidade Municipal Santa Ana (HMSA), em Santana de Parnaíba, região próxima a Alphaville, onde residia com a família. As circunstâncias que levaram à sua morte ainda não foram divulgadas.
Deixando sua esposa, Maria Cristina, e os filhos Filipe e Stephanie, Schmidt deixa um legado inestimável para o esporte nacional.
Mão Santa: A trajetória de um gênio do basquete
Apelidado de “Mão Santa” por sua impressionante precisão nos arremessos, Oscar era muito mais do que isso. O jogador sempre enfatizava que seu sucesso se devia ao trabalho árduo: “Não existe mão santa, existe mão treinada”, costumava afirmar. Este lema reflete a dedicação que levou a sua carreira ao mais alto nível.
Oscar é um dos poucos atletas a integrar o Hall da Fama do Basquete — Naismith Memorial — além de ser reconhecido pela Federação Internacional de Basquete e pelo Comitê Olímpico do Brasil. Ele também ficou famoso por ser um dos 100 maiores jogadores de todos os tempos, solidificando sua posição no panteão do esporte mundial.
Seu número, 14, usado em homenagem ao dia do pedido de namoro com sua esposa, se tornou sinônimo de excelência nas quadras do Brasil.
Recordes que marcam a história
A trajetória olímpica de Oscar é única: ele participou de cinco Jogos Olímpicos consecutivos, de Moscou, em 1980, até Atlanta, em 1996, acumulando um total de 1.093 pontos — um recorde que ainda permanece imbatível. Além disso, ele é o maior artilheiro da história da seleção brasileira, com 7.693 pontos.
Um dos momentos mais icônicos da carreira de Oscar foi a conquista da medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de 1987 em Indianápolis, quando a seleção brasileira, sob a liderança de Ary Vidal, desbancou os Estados Unidos na final. Na partida, Oscar fez 46 pontos e, ao final do jogo, emocionou-se a ponto de deitar-se na quadra para esconder as lágrimas de alegria.
A escolha pelo país
Oscar também é lembrado por sua recusa em jogar na NBA, priorizando a seleção brasileira. Após ser draftado pelo New Jersey Nets em 1984, ele optou por representar seu país, mesmo com a possibilidade de uma carreira lucrativa na liga americana. “Jogar pela seleção é a coisa mais nobre que existe, é diferente. É representar um país inteiro”, afirmou em entrevistas.
Embora tenha recebido propostas para jogar na NBA, Oscar nunca se deixou seduzir por elas. Para ele, a fama conquistada com a seleção e o respeito do povo significavam mais do que qualquer contrato.
A luta contra o câncer
Em 2011, Oscar foi diagnosticado com câncer no cérebro, uma batalha que ele anunciou ter vencido em 2022. Ele descreveu a cura como uma experiência transformadora e creditou sua recuperação em parte a uma entrevista que deu, onde afirmou estar saudável. Um outro momento especial em sua vida foi seu encontro com o Papa Francisco durante a Jornada Mundial da Juventude, em 2013, que ele considerou uma grande bênção.
Início e ascensão na carreira
Oscar nasceu em 16 de fevereiro de 1958, em Natal, Rio Grande do Norte, e seu amor pelo basquete floresceu após sua mudança para Brasília. Influenciado por seu técnico, começou a se destacar no cenário do basquete brasileiro. Mudou-se para São Paulo aos 16 anos para jogar no infanto-juvenil do Palmeiras, onde rapidamente se destacou, culminando em sua convocação para a seleção principal.
Após uma passagem de sucesso pela Itália, onde se tornou o primeiro jogador a ultrapassar 10 mil pontos no Campeonato Italiano, Oscar retornou ao Brasil e continuou a acumular títulos e estatuetas, incluindo recordes que solidificaram sua posição como um dos maiores artilheiros da história do basquete.
Oscar Schmidt acumula em sua carreira uma série de títulos, tanto pela seleção brasileira quanto em clubes. Entre suas conquistas estão:
Seleção Brasileira:
- 3 Campeonatos Sul-Americanos
- 2 Copas América
- 1 Medalha de Ouro nos Jogos Pan-Americanos
- 2 Vice-Campeonatos Sul-Americanos
Clubes:
- Palmeiras: 1 Campeonato Brasileiro, 2 Paulistas
- Sírio: 1 Campeonato Paulista, 1 Brasileiro, 1 Sul-Americano, 1 Mundial
- Corinthians: 1 Campeonato Brasileiro
- Flamengo: 2 Cariocas
Em um esporte que continua a evoluir, a marca deixada por Oscar Schmidt é eterna. Seu legado como atleta, pioneiro e ícone do basquete brasileiro será sempre lembrado e celebrado, tanto por aqueles que tiveram o privilégio de vê-lo jogar quanto pelas futuras gerações que ainda ouvirão suas histórias inspiradoras.



