Advogado mantém fortes vínculos com o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL)
A viagem do advogado Willer Tomaz para Miami, nos Estados Unidos, passou a ser acompanhada pela Polícia Federal (PF) em meio a investigações sobre suspeitas de lavagem de dinheiro e possíveis irregularidades financeiras. Amigo do senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL), Tomaz teve seu nome relacionado a apurações que envolvem transações financeiras e vínculos empresariais com o parlamentar. O senador Flávio Bolsonaro também é investigado no mesmo pela Polícia Federal.
Segundo informações da coluna do jornalista Igor Gadelha, do portal Metrópoles, investigadores consideram a possibilidade de que a saída do advogado do Brasil tenha ocorrido para evitar eventuais medidas cautelares.
A movimentação internacional ocorreu poucos dias depois de a PF encaminhar ao Supremo Tribunal Federal (STF) um novo inquérito relacionado a Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz. O procedimento foi recebido pela Corte em 8 de outubro e tem como objetivo apurar suspeitas de lavagem de dinheiro associadas a vínculos financeiros entre o senador e o advogado.
O caso foi distribuído por sorteio ao ministro Alexandre de Moraes, responsável pela relatoria. A investigação busca esclarecer a natureza das relações financeiras identificadas, a origem dos recursos envolvidos e se houve alguma irregularidade nas operações analisadas.
Documentos examinados pela Polícia Federal apontam para relações financeiras entre o advogado e o senador. De acordo com reportagem do jornal Folha de S.Paulo, investigadores identificaram pagamentos de viagens internacionais de Flávio Bolsonaro realizados por uma empresa ligada a Tomaz.
Em 2025, os dois viajaram juntos pela Europa, com deslocamentos entre Portugal e França. Parte dos trajetos teria sido custeada pela Cathedral, empresa registrada na Ilha da Madeira, em Portugal, e ligada ao setor de apostas.
Outro ponto levantado nas apurações envolve uma conta bancária vinculada a uma empresa pertencente ao advogado. Segundo as informações divulgadas, o nome de Flávio Bolsonaro teria aparecido como usuário autorizado a movimentar recursos dessa conta.
A existência desses registros integra os elementos que estão sendo examinados pelos investigadores. A apuração deverá esclarecer a finalidade das operações, as condições dos vínculos financeiros e se as movimentações apresentam alguma relação com as suspeitas investigadas.
Menção à Operação Sem Desconto
Willer Tomaz também aparece em informações relacionadas às apurações da Operação Sem Desconto, conduzida pela Polícia Federal para investigar um esquema de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
A operação apura suspeitas de cobranças indevidas realizadas por entidades associativas diretamente sobre benefícios previdenciários. O caso envolve a investigação de possíveis irregularidades que teriam causado prejuízos a aposentados e pensionistas.
Segundo o Metrópoles, o nome do advogado aparece em um procedimento relacionado às investigações.
Essa distinção é relevante porque a menção de uma pessoa em procedimentos relacionados a uma investigação não significa, necessariamente, que ela seja suspeita de participação em todos os crimes apurados no caso. A eventual responsabilidade individual depende dos elementos reunidos e da análise das autoridades competentes.
Novo inquérito no STF tem como foco as suspeitas relacionadas aos vínculos financeiros entre Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz. A Polícia Federal deverá analisar os documentos e demais elementos disponíveis para esclarecer se as operações tiveram finalidade lícita ou se apresentam indícios de irregularidades.
A viagem do advogado para Miami também passou a integrar o contexto acompanhado pelos investigadores, conforme as informações divulgadas pela imprensa.



