Dinheiro subtraído foi utilizado para apostas em plataformas de jogos de azar online
A Polícia Civil do Tocantins, por meio da 61ª Delegacia de Polícia de Paraíso do Tocantins, concluiu nesta quinta-feira, 18, o inquérito policial que apurou golpes financeiros praticados contra um casal de idosos no município. Ao término das investigações, a própria filha das vítimas, uma mulher de iniciais I.S.S.S., de 26 anos, foi indiciada pelo crime de furto qualificado pelo abuso de confiança.
De acordo com o delegado regional, Manoel Frota Neto, as investigações revelaram que a autora utilizava a relação de confiança mantida com os pais para acessar as contas bancárias das vítimas e realizar transferências via Pix, além de contratar empréstimos em nome deles, causando prejuízo superior a R$ 10 mil.
A conclusão do inquérito ocorre durante a Operação Virtude 2026, ação nacional coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), que mobiliza as Polícias Civis de todo o país para prevenir, investigar e reprimir crimes praticados contra pessoas idosas. A iniciativa também busca fortalecer a rede de proteção a esse público, conscientizar a população sobre a importância da denúncia e combater, entre outras práticas, a violência patrimonial e a exploração financeira de idosos.
Os fatos
O caso começou a ser investigado após o casal procurar a Delegacia de Polícia para registrar boletins de ocorrência, informando que valores vinham sendo retirados de suas contas bancárias sem autorização. As vítimas acreditavam que seus dispositivos eletrônicos haviam sido invadidos, já que desconheciam a origem das movimentações financeiras.
No decorrer das investigações, os policiais civis identificaram que a principal suspeita era a própria filha do casal, que possuía instalado em seu aparelho celular o aplicativo bancário da conta do pai. Durante o interrogatório, a investigada confessou os fatos e afirmou que utilizava o dinheiro para realizar apostas em plataformas de jogos de azar online. Ela também admitiu ter contratado empréstimos em nome dos pais na tentativa de recuperar valores anteriormente perdidos nas apostas.
As investigações demonstraram que o prejuízo causado às vítimas ultrapassou R$ 10 mil, valor desviado por meio de transferências bancárias e operações de crédito realizadas sem o conhecimento ou consentimento do casal.
Indiciamento
Com base no conjunto de provas reunidas durante a investigação, a mulher foi indiciada pelo crime de furto qualificado pelo abuso de confiança, previsto no artigo 155, § 4º, inciso II, do Código Penal. Se condenada, poderá cumprir pena de até oito anos de reclusão.
Ao comentar a conclusão do inquérito, o delegado Manoel Frota Neto ressaltou a gravidade do caso, especialmente por se tratar de um crime praticado por alguém que gozava da confiança das vítimas.
“O indiciamento dessa mulher representa uma importante resposta da Polícia Civil a um crime que vitimou os próprios pais da autora. Aproveitando-se da confiança que possuíam nela, a investigada teve acesso ao aplicativo bancário do pai e realizou diversas movimentações financeiras ilícitas. Casos como esse reforçam a necessidade de que as pessoas acompanhem regularmente suas contas, utilizem senhas seguras e tenham cautela ao compartilhar o acesso a aplicativos bancários, ainda que com familiares. Essa vigilância pode evitar prejuízos e situações extremamente dolorosas como a apurada neste inquérito”, destacou o delegado.



