Operação “Cartão Oculto” cumpre mandados contra organização criminosa responsável por fraude milionária em Araguaína

Suspeitos foram localizados em quatro estados; prejuízo ultrapassa R$ 1 milhão.

A Polícia Civil do Estado do Tocantins, por meio da 3ª Divisão Especializada de Repressão ao Crime Organizado (3ª DEIC – Araguaína), deflagrou nesta quinta-feira, 5, a Operação Cartão Oculto, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa especializada em fraudes eletrônicas e lavagem de dinheiro. O grupo é investigado por causar prejuízo estimado em mais de R$ 1 milhão a uma instituição de pagamentos.

Coordenada pelo delegado titular da unidade, Márcio Lopes da Silva, a ação cumpre cinco mandados de busca e apreensão nas cidades de Araguaína (TO), Divinópolis (MG), Ribeirão Preto (SP) e Nova Iguaçu (RJ).

A ação teve o apoio da 29ª Delegacia de Polícia Civil do Tocantins, da 1ª Delegacia Regional da Polícia Civil de Divinopolis (MG), do Grupo de Operações Especiais (GOE) da Polícia Civil de Ribeirão Preto (SP) e Divisão Especializada de Repressão ao Crime Organizado (DEIC) do Rio de Janeiro. Além das buscas, a Justiça também determinou o bloqueio de ativos financeiros nas contas dos investigados até o limite do valor desviado.

A investigação

As apurações tiveram início após denúncia da empresa vítima, que identificou movimentações atípicas e um volume elevado de transações suspeitas. A partir da análise técnica e do rastreamento financeiro, os policiais constataram a existência de um esquema estruturado para aplicar golpes por meio de operações eletrônicas simuladas.

Conforme levantado, o grupo seria liderado por um morador de Araguaína, responsável por criar e manter uma empresa de fachada utilizada exclusivamente para dar aparência de legalidade às transações fraudulentas.

Como funcionava o golpe

De acordo com as investigações, os criminosos simulavam vendas que nunca aconteceram para induzir a instituição de pagamentos a liberar valores indevidos. Para isso, utilizavam dados de cartões de crédito obtidos ilegalmente e registravam compras fictícias em nome da empresa de fachada.

Com as transações lançadas no sistema como se fossem vendas reais, os investigados solicitavam a antecipação dos valores a receber. Dessa forma, o dinheiro era liberado quase imediatamente, antes que as fraudes fossem identificadas. Assim que os recursos eram creditados, o montante era rapidamente transferido para diversas contas de terceiros, utilizadas como “laranjas”, em diferentes estados, dificultando o rastreamento e a recuperação do dinheiro.

O esquema seguia quatro etapas principais:

Obtenção de dados : captura ilegal de informações de cartões por meio de páginas falsas na internet e compra de dados em redes clandestinas na técnica conhecida como ‘fishing’;

Vendas fictícias : registro de compras inexistentes na modalidade on-line, sem a presença do cartão;

Liberação rápida dos valores : solicitação de antecipação dos recebíveis para sacar o dinheiro antes da contestação das vítimas;

Dispersão do dinheiro : transferência fracionada dos valores para contas de terceiros, com o objetivo de ocultar a origem ilícita.

Função dos investigados

As diligências também apontaram a divisão de tarefas entre os integrantes da organização:

Araguaína (TO) : principal articulador, responsável pelo registro da empresa de fachada e execução das transações;

Divinópolis (MG) : coordenador técnico, encarregado da criação de páginas falsas e gerenciamento de contas fraudulentas;

Nova Iguaçu (RJ): operador com conhecimento tecnológico para burlar sistemas de verificação de identidade e captar dados de cartões;

Ribeirão Preto (SP) : facilitadores financeiros, responsáveis por receber e pulverizar os valores desviados.

Apreensões

Durante o cumprimento dos mandados judiciais, foram apreendidos celulares, computadores de alta performace, 18 mil em espécie, além de documentos relacionados a fraude eletrônica, que serão submetidos à perícia para auxiliar na identificação de outros envolvidos e no aprofundamento das investigações.

Integração interestadual

A autoridade policial responsável destacou a relevância da operação e o trabalho conjunto das equipes envolvidas.

“Estamos desarticulando uma organização criminosa estruturada, com divisão de tarefas e atuação em diversos estados, responsável por fraudes de grande impacto financeiro. A integração entre as equipes policiais foi fundamental para o sucesso da operação e para o avanço das investigações”, ressaltou.

As investigações continuam com o objetivo de identificar outros participantes do esquema, responsabilizar os envolvidos e recuperar os valores desviados.

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