O autor pontua a atuação do advogado e político como defensor dos direitos humanos e dos trabalhadores rurais durante os conflitos agrários no Araguaia nas décadas de 1970 e 1980.
O livro “O Massacre dos Posseiros”, escrito pelo jornalista Ricardo Kotscho, resgata a dolorosa história dos conflitos agrários vividos na região do Araguaia entre as décadas de 1970 e 1980. Nesta obra, Célio Moura (Célio Alves de Moura), advogado e político influente na região, é destacado por sua defesa dos direitos dos camponeses e posseiros em um período marcado pela opressão do regime militar e pela pressão de grandes latifundiários.
Em suas páginas, Kotscho apresenta Célio Moura como uma figura central na luta pela terra, revelando seu papel como advogado na linha de frente em defesa dos trabalhadores rurais. As menções ao seu trabalho enfatizam não apenas a legalidade de suas ações, mas também a coragem necessária para enfrentar um sistema que frequentemente ignorava os direitos dos menos favorecidos. Célio Moura, segundo o autor, foi fundamental para garantir que os posseiros tivessem acesso a uma representação jurídica frente à brutalidade e à violência que permeavam os conflitos agrários da época.
O apoio da Igreja e de Organizações Sociais desempenhou um papel significativo na trajetória de Célio Moura, que foi deputado federal pelo Tocantins. O livro detalha sua relação com figuras emblemáticas, como o Bispo Dom Pedro Casaldáliga e a Comissão Pastoral da Terra (CPT), que se destacaram como pilares de suporte para os posseiros. Essa rede de solidariedade, composta por líderes religiosos e organizações civis, proporcionava um respaldo moral e logístico à luta pela terra, tornando-se um escudo contra a injustiça e a repressão.
Kotscho também descreve a resistência jurídica que Célio Moura cultivava diante do aparato estatal. Ele enfrentava não apenas as dificuldades legais impostas pelos poderosos, mas também o sistema policial que frequentemente agia com violência para intimidar os pequenos agricultores. O advogado tornou-se uma voz ativa na denúncia das situações de violência no campo, buscando justiça para aqueles que perderam suas vidas em decorrência desses conflitos. A narrativa de Kotscho expõe o trabalho de Célio Moura, que foi crucial para dar visibilidade às injustiças sociais que permearam a formação agrária do Tocantins — então parte do norte de Goiás.
“O Massacre dos Posseiros” é um documento histórico que revive as agruras enfrentadas por aqueles que lutaram por seus direitos e destaca as figuras que, como Célio Moura, se tornaram vozes da resistência. A obra revela a importância da memória na construção da consciência social, influenciando as discussões sobre reforma agrária e justiça social.



