Moradores afirmam que o problema não é recente e que o histórico de solicitações sem resposta aumenta a sensação de abandono.
Uma rede de alta tensão instalada há mais de duas décadas passou a cortar, hoje, o espaço aéreo de casas, quintais e áreas de circulação de famílias no conjunto de chácaras localizado no Ribeirão dos Porcos, nas imediações do Lago Sul, em Araguaína. O que antes era uma região pouco habitada transformou-se em bairro produtivo e residencial. A infraestrutura, porém, permaneceu a mesma — e, segundo os moradores, tornou-se um perigo permanente.
FIOS ENERGIZADOS SOBRE MORADIAS: CRESCIMENTO IGNORADO
A denúncia dos moradores é direta: a concessionária Energisa teria sido comunicada repetidas vezes sobre a necessidade de remanejamento da rede, mas nenhuma providência concreta foi adotada.
A instalação original ocorreu dentro do contexto do programa federal Luz para Todos, quando praticamente não havia construções na área. De lá para cá, o adensamento populacional mudou completamente a paisagem. Casas foram erguidas, famílias chegaram, crianças passaram a brincar nos quintais — e os cabos continuam cruzando os terrenos em altura considerada insuficiente pela comunidade.
O morador Josevan Alves de Sousa questiona a ausência de atualização da rede diante da expansão urbana.
“A região cresceu, todo mundo viu. Só quem parece não ter visto foi a empresa. Já pedimos vistoria, já procuramos atendimento, mas nada muda. Enquanto isso, os fios continuam por cima das casas.”
Risco emitente e silêncio da Concessionária

O período chuvoso amplia a tensão. Ventos fortes, galhos de árvores e a proximidade das construções com a fiação alimentam o medo de descargas, rompimentos ou acidentes de grandes proporções.
Quem está chegando agora também se assusta. O futuro morador Jarbeno de Sousa Brito relata que a insegurança foi a primeira impressão ao visitar o terreno onde pretende viver.
“É impossível não se preocupar. Os cabos são muito próximos, parecem baixos. A gente investe o que tem para morar melhor e encontra esse perigo logo acima da cabeça.”
Moradores afirmam que o problema não é recente e que o histórico de solicitações sem resposta aumenta a sensação de abandono.
Possível Judicialização
Sem avanço nas tratativas administrativas, a associação local discute levar o caso ao Ministério Público do Estado do Tocantins, pedindo apuração de responsabilidades, vistoria técnica e eventual determinação de mudança no traçado.
A avaliação da comunidade é que houve falha de planejamento continuado. Para os moradores, não basta ter levado energia no passado — é preciso acompanhar a transformação do território.
Possibilidade real de acidentes graves

A pergunta que ecoa entre as famílias é dura: será necessário um acidente para que providências sejam tomadas?
Enquanto aguardam resposta, moradores seguem convivendo diariamente com cabos de alta tensão sobre suas casas, em uma paisagem que mistura desenvolvimento e vulnerabilidade.
A reportagem mantém o espaço aberto para posicionamento da concessionária e dos órgãos responsáveis.



